FONLAD #08_2012
O Festival on line de Artes Digitais na sua oitava edição renova-se. Confirmando as últimas duas edições a apetência dos artistas contemporâneos pela vídeo arte, o formato adoptado no corrente ano reflecte esta tendência: actividades de formação e residências de criação artística, mostras vídeo em espaços não convencionais, que conviverão com mostras de âmbito mais clássico na sua apresentação.
A Vídeo Arte surgiu como meio artístico nos finais dos anos 60.
Nam June Paik, compositor de formação, instalou em Março de 63 doze aparatos televisivos, quatro pianos, magnetofónes e objectos mecânicos sonoros na Galeria Parnass em Wupertal. A primeira exposição relacionada com este género artístico, “A televisão como médium criativo” teve lugar em 1969 na Howard Wise Gallery de Nova Yorque.
A vídeo arte, propriamente dita, surge com a câmara de vídeo portátil, e como em qualquer outro meio artístico, a sua forma de expressão transforma-se com a evolução da tecnologia. Se bem que durante a fase inicial da vídeo arte, as imagens se apresentavam directamente num monitor, rapidamente os artistas as projectaram sob a forma de instalações, utilizando um grande número de monitores.
As inovações tecnológicas transformam continuamente o hardware: se antes se necessitava de uma câmara portátil e de um gravador de fita magnética, na actualidade é possível criar e modificar as gravações completamente por computador. A quantidade de dados disponibilizados em rede fornece uma fonte inesgotável de material para utilização e processamento. As suas possibilidades de visualização são enormes e quase indeterminadas, indo dos monitores de Times Square aos dos telemóveis. O vídeo assemelha-se a um ser misto que pode assumir variadas formas.
O corpo como conceito artístico sofre desde os finais da década de 50 uma continua libertação em variadas direcções. Enquanto alguns trabalham a ideia da unificação da arte e da vida (John Cage, Joseph Beuyes, movimento Fluxus), outros artistas desenvolvem uma performance de concepção independente da casualidade, consideram o corpo humano como um material estético, uma superfície de projecção e indicador de estados mentais. O vídeo como médium técnico passa a ser um elemento construtivo da acção: a gravação, tal como a transmissão de dados num monitor permitem a desmaterialização do corpo real e a sua resplandecência em novas imagens (Vito Acconci, Bruce Nauman).
(Referências: Sylvia Martin, Vídeoarte, Taschen, 2006; Christianne Paul, Digital Art, Thames & Hudson, 2008; Frank Popper, Art of the Electronic Age, Thames & Hudson, 1997).
O Festival Fonlad, na sua 8ª edição pretende homenagear Nam June Paik, Bruce Nauman e Vito Acconci, propondo como tema global das produções a apresentar “Performing Acts”, Actos Performativos. Pretende-se apresentar um conjunto de trabalhos que tenham como centro o registo de performances (artísticas ou não), o corpo nas suas mais variadas acepções e poses culturais, o registo de manifestações / acções, trabalhos que tenham como mote ou centro, o corpo, o(s) seu(s) movimento(s), desejos, angustias, quer sob a forma de vídeo arte, vídeo-performances, fotografia ou Web arte. |